Commodities

Mineração e siderurgia: o que mudou nas estimativas de EBITDA

Preço internacional do minério e câmbio real explicam boa parte dos upgrades em receita. O consenso de lucro líquido, porém, permanece cauteloso com custos operacionais e despesas financeiras.

Gráfico ilustrativo do setor de commodities e EBITDA

O setor de mineração e siderurgia registrou uma das rodadas mais movimentadas de revisão de consenso nas últimas semanas. Impulsionados pela recuperação do preço internacional do minério de ferro e por um câmbio real mais depreciado, analistas elevaram estimativas de receita para os principais produtores brasileiros.

Mas, como frequentemente ocorre em commodities, receita e lucro não andam na mesma direção no consenso. Enquanto a linha de receita aponta para cima, as projeções de EBITDA e lucro líquido mostram ajustes mais contidos — e, em alguns casos, revisões negativas pontuais.

Receita: upgrades generalizados

Entre as cinco maiores empresas de mineração e siderurgia monitoradas pelo consenso, quatro receberam upgrades de receita para o 2T26. A magnitude média do ajuste ficou em torno de 3,2%, com destaque para produtores com maior exposição ao mercado chinês e contratos de longo prazo indexados ao preço spot.

Na siderurgia, o movimento foi mais heterogêneo. Empresas com foco no mercado doméstico tiveram estimativas de receita revisadas para cima em função da demanda de construção civil. Já exportadoras de placas e bobinas enfrentaram revisões mistas, dependendo da exposição cambial e do mix de produtos.

EBITDA: custos comem parte da receita

O consenso de EBITDA não acompanhou a euforia da receita. Analistas incorporaram pressões de custo que incluem energia elétrica, fretes e manutenção de ativos. Em dois nomes de grande capitalização, a estimativa de EBITDA foi revisada para baixo mesmo com upgrade de receita.

Em commodities, upgrade de receita sem upgrade de EBITDA é sinal de que o mercado não acredita na conversão de preço em margem.

Lucro líquido: cautela com despesas financeiras

A camada final — lucro líquido — adiciona mais uma variável. Empresas com dívida em moeda estrangeira enfrentam revisões de despesa financeira que compensam boa parte do ganho operacional projetado. O resultado é um consenso de lucro que, na média do setor, ficou estável na última rodada.

O que observar nos próximos balanços

  1. Preço realizado versus preço de referência do consenso;
  2. Volume de produção e embarques no trimestre;
  3. Evolução do custo cash por tonelada;
  4. Impacto cambial nas despesas financeiras líquidas.

O Rapid Brasil continuará acompanhando as revisões de consenso à medida que novas projeções de preço de commodities forem incorporadas pelas casas de análise. Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e editorial.